terça-feira, 4 de março de 2014

CAPÍTULO 32



Quando Carla chegou no restaurante, Daniela já estava esperando em uma das mesas. Levantou o braço e acenou.

Carla acenou de volta enquanto caminhava até ela. Abraçaram-se e trocaram dois beijinhos antes de se sentarem, uma de frente para a outra.

Dani perguntou:

- Já quer almoçar?

Carla recusou:

- Não, ainda é cedo.

Dani sugeriu:

- Vamos tomar um chope?

A resposta de Carla não poderia deixá-la mais satisfeita:

- Com certeza!

Levantou a mão e chamou o garçom. Assim que ele se aproximou, pediu:

- Dois chopes, por favor.

A conversa fluiu fácil, leve e divertida. As duas absolutamente felizes por se reencontrarem e recuperarem a amizade antiga.

Falaram sobre tudo. Casamento, trabalho, filhos, separação, ex maridos... Cada assunto reiterando a identificação recíproca, os pontos em comum - que eram muitos - em suas vidas.

Terminaram a sobremesa, tomaram café...

Sem que deixassem de ter o que se dizer. Daniela propôs:

- Vamos dar uma voltinha?

Caminharam pelo shopping, olhando as vitrines... De repente, Dani lançou:

- Agora me diz... Como está sendo pra você? Estar de novo com a Júlia?


Carla sorriu...


Ainda não tinham falado sobre ela. Mas sabia que mais cedo ou mais tarde, falariam.


- Na verdade, eu não sei. Estamos... Tentando nos adaptar... Mas não é fácil. Acho que nunca vai ser.


Suspirou...


- Eu vou te dizer uma coisa... Mas por favor, não comenta com ela?


Daniela não tentou esconder a curiosidade:


- Não, claro que não.


Foi uma confissão, um desabafo... Precisava dizer aquilo para alguém e Daniela era a pessoa perfeita. Provavelmente a única capaz de compreender. Falou de forma rápida, de uma só vez:


- Me incomoda ver a Júlia nua ou beijando alguém em cena. Racionalmente eu sei que não tem nada a ver, mas... Não consigo me acostumar, muito menos gostar. Prefiro não ver.


Riu de si mesma...


Daniela também riu, por um motivo bem diferente. Respondeu da forma bem humorada de sempre:


- Tá, eu entendo. Acho que se eu fosse você, sentiria o mesmo. Mas... Sabe que ela não vai mudar de profissão, né?


O tom de Carla mudou completamente. Tornou-se... Leve, divertido, irreverente:


- Sim, eu sei... Mas ela não podia fazer só personagens castas? Santas ou freiras?


Riram muito... Juntas dessa vez...


Depois Carla voltou a ficar séria:


- É mais do que isso. Agora, por exemplo. Ela não poderia estar aqui, com a gente...


Dani riu:


- Você quer dizer sem as pessoas olharem, pedirem autógrafo, tirarem fotos e etc? 


Carla também:


- Ou aparecerem fotos na internet... 


Daniela fez um gesto com as duas mãos no ar, como se mostrasse uma legenda:


- “Júlia Prantine passeando no shopping com amigas”...


Riram juntas:


- Não mesmo!


Foi sem nenhum rancor ou mágoa que Carla perguntou:


- Por que você nunca me disse nada?


Daniela sorriu:


- Você nunca me disse nada também.


Por um breve instante, foi como se as duas voltassem e retomassem... Todas as dificuldades, inseguranças e medos... Agora pareciam sem sentido, pequenos e tolos... Exatamente o contrário da enormidade e do peso de antes...


Carla confessou:


- Eu não sabia como.


A compreensão de Daniela estava na própria vivência, idêntica:


- Nem eu.


Olharam-se e, num entendimento tácito e cúmplice, sorriram uma para a outra...


Foi quando o celular de Carla tocou. Mesmo se não tivesse dito o nome, Dani saberia quem era... Pelo tom dela ao atender:

- Júlia... Oi...

Virou-se e afastou-se... O suficiente para Carla poder falar a vontade:

- Estávamos falando de você...

A resposta de Júlia soou... Deliciada, melosa e ao mesmo tempo, altamente bem humorada:

- É mesmo? Bom saber que eu sou lembrada...

Foi num tom bem mais baixo e grave que Carla falou:

- Sempre, meu amor...

Júlia deixou escapar um gemido baixo do outro lado... Antes de perguntar:

- O que eu posso fazer pra você mudar de ideia sobre hoje a noite?

Carla suspirou...

- Nada.

 Apesar de contida, a exasperação de Júlia era perceptível:

- Carla... Não faz o menor sentido você ir dormir num hotel...

A última coisa que Carla queria era repetir a discussão da véspera... Pediu:

- Júlia... Nós já conversamos sobre isso... Exaustivamente... Por favor, não insista...

Ela fez exatamente o oposto:

- Se não quer dormir comigo, tudo bem, tem vários quartos no meu apartamento... Você pode ficar num deles... Sozinha...

A vontade de Carla foi rir... Naquele momento Júlia parecia... Uma criança contrariadinha... Foi suave, mas firme:

- Você sabe tão bem quanto eu que se eu for dormir no seu apartamento, nunca vou dormir sozinha...

Júlia sorriu...

Estava explícito na voz dela quando disse:

- Você nem imagina o quanto eu adorei ouvir isso...

O tom dela se tornou perigosamente sedutor:

- Poderia te mostrar...

Foi preciso um esforço significativo para Carla não ceder, como tinha feito nos últimos cinco dias:

- Amanhã.

O silêncio de Júlia disse mais do que mil palavras.

Reunindo o resto de paciência que tinha, Carla explicou, pela milionésima vez:

- A Letícia terminou com a namorada, quer conversar comigo. Vou jantar com ela e depois vou aproveitar para ver o Leonardo.

Nem assim encontrou a compreensão que buscava:

- Precisa mesmo ir lá? Não pode marcar com o seu filho em outro lugar?

Respirou fundo...

Só depois respondeu, com a maior calma possível:

- Você sabe que o meu filho não está falando comigo, não me atende nem por telefone. Estou indo lá exatamente para tentar resolver isso.

Júlia resmungou:

- Na casa do seu ex... 

Fazendo Carla voltar a ter vontade de rir...

Foi num tom completamente diferente que disse:

- Júlia... Qual é o problema, me explica? Eu vejo o Tiago quase todo dia...

Mas ela não mudou o dela:

- No escritório. Não na casa dele, numa sexta à noite.

A insinuação absurda fez Carla se irritar finalmente:

- Como é? Repete, por favor. Eu não entendi. O que muda o fato de ser sexta à noite?

Júlia ficou muda.

Carla continuou, enfurecida:

- Você acha mesmo que existe possibilidade de acontecer alguma coisa entre eu e ele?

Júlia permaneceu calada, sem responder.

Houve um breve instante de silêncio.

Carla respirou... Profundamente...

Antes de completar, quase com frieza:

- É isso que você pensa?

Dessa vez, Júlia respondeu rápido:

- Não. Claro que não.

Pareceu cair em si:

- Carla... Me desculpa...

Arrependimento era a última coisa que Carla queria:

- Eu não preciso de desculpas, Júlia... Preciso que você seja racional, que me dê apoio...

Júlia parou e pensou... Não estava acostumada com aquele tipo de sentimento... Ciúme, possessividade, insegurança... Nunca tinham feito parte da sua vida. Não sabia lidar com isso... Ainda. Aprenderia. Tinha que aprender.

Foi essa conclusão que a fez afirmar:

- Não vai se repetir. Eu prometo, meu amor.



Estava experimentando um par de sandálias, quando Júlia ligou de novo:

- Me diz uma coisa... O que acha de viajar amanhã e voltar na quarta feira?

Deixando Carla absolutamente perdida:

- Viajar? Como assim? Pra onde?

Depois de alguns segundos de suspense, ela falou:

- Visconde de Mauá...

Carla compreendeu na mesma hora... E amou a ideia... Mas não ia perder a oportunidade de implicar:

- Vai ser ótimo passar o fim de semana enfiada numa barraca...

Júlia respondeu no mesmo tom de provocação bem humorada:

- Não era bem isso que eu estava planejando, mas... Se você prefere...

Riram juntas...

- Não, nada de acampar... Por favor...

- Ainda bem... Por um momento tive medo...

Riram mais um pouco...

A voz de Júlia mudou completamente... Tornou-se... Aveludada:

- Não que daquela vez não tenha sido...

Foi Carla que concluiu a frase:

- Maravilhoso...

As duas sorriram... Num instante compartilhado, de pura nostalgia...

- Mas você ainda não me respondeu... Vamos? Ou não?

A pergunta de Júlia trouxe Carla de volta ao presente:

- Só posso te dizer hoje à noite, depois que tiver certeza de que as crianças estão bem e que eu posso viajar sem problemas...

Júlia fez questão de tranquilizá-la:

- Tudo bem. Se não der nesse final de semana vamos em outro. Vou deixar reservado apenas por garantia.

Trocaram mais algumas palavras e se despediram. Júlia ia desligar quando Carla a chamou:

- Júlia...

Esperou em silêncio... Pouquíssimo tempo.

Carla rapidamente completou:

- Eu te amo.

Júlia sorriu:

- Eu também te amo.

E as duas tiveram a mesma impressão de realidade, verdade, certeza... Do sentimento que compartilhavam... De forma plena...



Assim que Júlia desligou, bateram na porta. Já sabia quem era, por isso na mesma hora disse:

- Entra.

Exatamente como previa, o novo assistente surgiu, muito sorridente:

- Com licença, Júlia... Está precisando de alguma coisa?

Ela sorriu de volta:

- Sim. Quero que você faça uma reserva para mim.

Ele pegou o tablet para anotar:

- Pode falar!

Deu as instruções sorrindo, bastante satisfeita. Realmente, Suzana a conhecia, não poderia ter indicado alguém mais perfeito.

Além de ser de uma pro atividade bastante eficiente, satisfatória, competente... O rapazinho era simpático, bonito e... Absolutamente gay. Bastava olhar para saber.

- Só isso?

Ele perguntou, ainda com o tablet em punho. Júlia o dispensou:

- Por enquanto é só, Yuri. Obrigada.

Ele sorriu...

E antes de sair disse:

- Imagina! Estou aqui pra isso!



Assim que Carla desligou, virou-se para Dani:

- Como é que foi? Durante esses vinte e cinco anos? Ela teve... Muitos relacionamentos?

Primeiro Daniela se assustou... Com a pergunta feita à queima roupa... Depois parou e... Questionou:

- Por que você não pergunta pra ela?

Carla suspirou:

- Eu já perguntei. E ela se esquivou.

A forma como Dani indagou:

- Quer mesmo saber?

Quase fez Carla desistir. Mas a curiosidade venceu:

- Quero.

Daniela respirou fundo, antes de finalmente dizer:

- Então... Se eu tivesse que definir em uma única palavra, seria... Rotatividade.

Sem ser capaz de definir se se sentia aliviada ou ainda mais preocupada, Carla esperou, calada, durante a pausa que Dani fez antes de prosseguir:

- Foram muitas, ela se apaixonou várias vezes, nada de sério, tudo muito rápido, inconstante, instável... Sempre meio... Volátil... Até os namoros... Esses foram poucos... Nenhum durou mais de seis meses... E eu arriscaria dizer que... Ela não se abalou nem sofreu lá grandes coisas quando terminaram... Pelo menos não como quando se afastou de você...

Olhou para Carla durante alguns segundos, decidindo se deveria ou não completar...

Acabou optando por fazê-lo:

- A verdade é que... Eu nunca vi a Júlia ser desse jeito... Com mais ninguém... Ela só é assim com você.



Ligou para ela assim que entrou no carro:

- Júlia... Oi.

A voz soou preocupada do outro lado:

- Tudo bem, meu amor? Onde você está?

A resposta de Carla foi imediata:

- Acabei de sair da casa do Tiago. E você?

A de Júlia também:

- Estou em casa.

A despeito de tudo que tinha dito antes, perguntou:

- Posso passar aí?

Havia surpresa na voz de Júlia... Mas ela disse sem hesitação nenhuma:           

- Nem precisava perguntar... Estou te esperando, vem...



Júlia ficou andando de um lado para o outro na frente do elevador durante todo o longo e interminável tempo que a chegada de Carla demorou.

Sabia que algo tinha acontecido, pela voz dela e pelo fato de ter mudado de ideia depois de tanta discussão a respeito de passar a noite num hotel ou não.

Cada vez que o elevador subia acompanhava a luzinha se movendo, em expectativa... Nas primeiras duas vezes, parou alguns andares abaixo. Na terceira, para alívio de Júlia, era ela.

Abriu a porta e Carla atirou-se em seus braços. Amparou-a, segurando-a protetoramente... Perguntou com carinho, preocupação e cuidado:

- Que foi, meu amor?

Ao invés de responder, Carla sussurrou, com o rosto enfiado nos cabelos de Júlia:

- Desculpa...

De um jeito que fez a inquietação de Júlia aumentar de forma quase insuportável. Mesmo assim, conseguiu se controlar, retrucou num tom bastante suave:

- Pelo que?

Sem sequer sonhar com as milhares de possibilidades que a imaginação de Júlia já havia criado, Carla demorou... O que para Júlia pareceu um século... Antes de afinal falar:

- Eu sei que eu disse que não viria, mas...

Buscou palavras capazes de explicar, definir o que estava sentindo... A vontade, a necessidade da presença de Júlia... De falar, contar, dividir com ela tudo que tinha acontecido...

Acabou não dizendo nada.

Mas não foi necessário.

Júlia soube, intuiu, sentiu... Sem que Carla precisasse falar.

Apertou-a com mais força nos braços... Beijou-a... No pescoço, no rosto, nos lábios:

- Amor... Meu amor... Não precisa se desculpar por ter vindo, muito pelo contrário... Eu queria que você viesse, eu sempre qu...

Não conseguiu completar a frase, Carla a calou, com um beijo intenso e apaixonado...

Depois, muito depois, quando as bocas finalmente se separaram, Júlia pegou Carla pela mão:

- Vem comigo...

Levou-a até a cobertura, sabia que Carla adorava a vista... Acomodou-a em um sofá deck encostado na mureta e perguntou:

- Quer tomar alguma coisa?

Completamente entretida em admirar a paisagem, Carla demorou alguns segundos antes de se virar para Júlia:

- O quê?

Júlia sorriu... Feliz por ter acertado.

Repetiu num tom deliciosamente doce:

- Quer alguma coisa, meu amor?

A resposta de Carla soou... Tensa demais:

- Não, agora não...

Levantou, caminhou, afastou-se um pouco dela... Respirou fundo e voltou... Ciente de que ainda não tinha dito nada e que Júlia estava parada, imóvel, calada, olhando-a... Visivelmente angustiada...

- Desculpe, é que... Eu estou me sentindo tão...

Calou-se novamente, aproximou-se, parou na frente de Júlia, olhou dentro dos olhos dela:

- Eu não sei... Como falar...

Naquele instante, Júlia precisou de todo o seu autocontrole... Na verdade, muito além do habitual... Para conter-se... Ser capaz de afastar, apagar, limpar... Todos os pensamentos que a própria mente começou a criar e a disseminar...

Sem saber como, conseguiu dizer... Num tom de serenidade:

- Seja sincera.

Carla não escondeu a surpresa:

- Quando é que eu não fui?

Só então pareceu compreender... O que estava parecendo e, provavelmente, Júlia estava pensando. Segurou o rosto dela entre as mãos:

- Não é isso... Absolutamente.

O olhar de Júlia não mudou. Continuou... Cheio de apreensão, receio, dúvida...

Com os braços ao redor do pescoço dela, Carla pediu:

- Não fica assim, meu amor...

Soprou baixinho, no ouvido de Júlia:

- Não é nada demais, eu só estou precisando desabafar...

Afastou-se o suficiente para voltar a olhar para ela:

- Mas não sei se devo, eu... Não quero que você...

Parou e pensou... Antes de voltar a tentar explicar:

- Eu não quero te...

Falhou novamente...

Júlia acariciou o rosto dela com suavidade:

- Confia em mim?

Carla sorriu... E assentiu.

Fazendo-a completar sorrindo também:

- Então fala...

Sentaram-se juntas no sofá, Júlia segurando as mãos de Carla entre as dela...

Ajudando Carla a soltar num fôlego só, quase sem respirar:

- A Letícia me apresentou uma namorada nova. Apareceu pra buscá-la quando terminamos de jantar. Eu fiquei preocupada, não só pela facilidade com que ela descartou a Paula e já está com outra, mas... Porque essa é mais velha, mora sozinha, é psicóloga e... Eu não sei quem é, não conheço... A Paula era maravilhosa, as duas são amigas... Quer dizer... Se conhecem desde que tinham quatorze anos, eu conheço os pais dela e tudo mais... Tá, eu sei que parece besteira e que estou reagindo como uma louca controladora e superprotetora, mas...

Júlia riu:

- Uma mãe controladora e superprotetora... Isso me lembra alguém... Quem será?

A conclusão de Carla foi rápida:

- A minha mãe, né? Eu sei que estou ficando igual.

Depois de beijar Carla de leve nos lábios, Júlia perguntou:

- Essa nova namorada é muito mais velha?

O interesse dela fez Carla se sentir muito mais confortável:

- Tem vinte e cinco.

De forma absolutamente ponderada, Júlia analisou:

- Oito anos é uma diferença considerável, mas pensa bem, Carla... Se ela foi te conhecer é porque está bem intencionada, não acha?

Conseguiu acalmá-la:

- É... Você tem razão.

Impossível deixar de pensar:

“Você me deve uma, Letícia!”

Mas aquilo era só o início, Carla tinha apenas começado:

- Depois eu fui ver o Leonardo. Estava como sempre, jogando videogame trancado no quarto. Tentei conversar, mas ele me ignorou completamente, sequer me olhou.

Deixou as lágrimas escorrerem enquanto falava:

- Como se eu não estivesse lá, como se eu nem existisse. Não foi a primeira vez, na verdade faz muito tempo que ele é assim, eu demorei muito pra perceber e quando finalmente tomei ciência não fiz nada... Eu me sinto... Totalmente culpada...

Carinho, cuidado, delicadeza... Estavam explícitos... No tom que Júlia usou:

- Meu amor... Apesar do seu filho estar se comportando como uma criança mimada, ele  já tem vinte anos, é um homem, você não pode se culpar nem se sentir responsável pelas escolhas e atitudes dele.

Mais uma vez, Carla concordou:

- Sim, é verdade.

Fez uma breve pausa antes de confessar:

- Mas eu não consigo deixar de pensar nele como criança, sabe? O meu garotinho...

Riu de um jeito que terminou num som soluçado...

Depois fechou os olhos, deixou escorrerem mais algumas lágrimas... Sentiu os dedos de Julia enxugando-as...

Havia no gesto uma ternura, uma suavidade, uma leveza...

Quase um chamado... Que a fez abrir os olhos para encontrar os dela... Repletos de um amor... Inquestionável...

Levando-a a ser ainda mais verdadeira:

- Foi muito estranho entrar naquele apartamento. Está exatamente igual e, no entanto, tão diferente... Eu sei que quem mudou fui eu, mas saber racionalmente não facilita em nada... É o mesmo lugar... Onde eu morei tantos anos, onde vi meus filhos crescerem... Eu mesma decorei, organizei cada móvel, cada objeto... Mas não é mais a minha casa, eu não sinto que seja... Deixou de ser... Eu não faço mais parte e... Mesmo sendo uma escolha minha... Não deixa de doer... De ser uma perda...

Para Júlia, naquele momento, a necessidade de esclarecer, de saber... Era vital:

- Você se arrepende?

Não houve hesitação por parte de Carla:

- Não.

Foi a vez de Júlia desabafar:

- Quando você me ligou eu fiquei absolutamente preocupada. Quando chegou aqui, fiquei ainda mais. Pensei que talvez estivesse tentando me dizer que ia voltar para o seu ex, que tinha se arrependido, que queria terminar comigo...

Carla riu...

Segurou o rosto de Júlia entre as mãos e a olhou nos olhos:

- Nunca.

Beijou-a nos lábios:

- Jamais.

As lágrimas voltaram a escorrer... Dessa vez, emocionadas:

- Eu preciso de você... Eu sinto a sua falta... Não consegui ir dormir sozinha num hotel... Apesar de, racionalmente, saber que era a coisa mais acertada... Vai contra tudo que eu sinto, contra o que eu realmente quero...

Riram juntas...

Carla protestou, de um jeito bem humorado:

- Não é pra você rir... Eu estou confusa e desesperada de verdade...

Júlia continuou apenas ouvindo, deixando-se encantar... Se fosse possível, ainda mais...  

- Não suporto ficar longe de você... E isso torna o meu desejo de independência e liberdade uma piada... Eu acabei de romper um casamento de vinte anos, uma relação de uma vida inteira... Entrar em outra relação era a última coisa que eu deveria fazer, só que... Eu tentei, mas a nossa relação já existe... É fato... Eu não tenho como... Nem quero evitar...

Olharam-se...

Durante um silêncio breve.

Júlia irrompeu, sem pensar... Seguindo apenas o instinto, num ímpeto que lhe era desconhecido, inédito por ser... Absolutamente passional:

- Carla... Eu tinha planejado te dizer isso amanhã em Mauá, mas depois de tudo que você me falou, eu não tenho mais como nem porque esperar...

Fez uma pausa.

Respirou fundo. Não para causar um efeito dramático, mas... Para recuperar o ar e a coragem... Antes de declarar:

- Eu quero que você venha morar comigo...


CONTINUA NA PRÓXIMA 3a feira (AMANHÃ)

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Músicas que inspiraram  o capítulo:






postado originalmente em 09 de Junho de 2014 às 18:00.
 

Um comentário:

  1. Uia... cap. com mtas emoções...
    O reencontro de Carla e Dani... a amizade q nunca deixou de ser... mto importante na vida de ambas...
    Carla demonstrando o quão difícil é estar com uma atriz sem ser do meio artístico... Não queria estar na pele dela...
    E demonstrando curiosidade em saber sobre as ex da Júlia... k k k coitada... adorei o Rotatividade...
    E enfim dizendo tudo o q Carla sempre quis escutar 'ela só é assim com vc'... isso q é prima... A Júlia deveria erguer uma estatua pra Dani...
    Júlia quase enfartando qdo Carla chega... a mulher é atriz e não adivinha... pra q tanto suspense... A Carla é mto má, ainda mais com a Júlia sendo tão fofa e disponível ao escutar as preocupações de mãe. Adorei...
    E finalmente... "Eu quero q vc venha morar comigo" uia... na lata...
    Cap + q emocionante...
    E amanhã tem mais...
    Agora me diz... como vou sobreviver sem esse cto até semana q vem??
    Isso é maldade...
    Amei... tudoooooo...

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