terça-feira, 4 de março de 2014

CAPÍTULO 03



Carla fechou os olhos e se deixou levar, entregou-se inteiramente à explosão de sensações que a tomou. Nunca tinha pensado, sequer havia desconfiado que um beijo poderia ser daquele jeito. Despertar todos os sentidos e confundi-los todos ao mesmo tempo. Teria ficado ali a noite toda, na verdade a vida inteira.
Um misto de decepção e perda a tomou quando Júlia se afastou:
– Alguém pode ver.
Compreendeu e até concordou, mas queria mais, muito mais, estava longe de estar satisfeita. Foi isso que a fez dizer:
– Eu sei de um lugar. Vem.
Atravessou o gramado rapidamente, com Júlia atrás dela. Quando abriu a porta da sauna, ainda olhou para os lados, se certificando de que ninguém as estava seguindo nem vendo.
Entrou, trancou, se virou para ela e, num primeiro instante, se olharam somente. Júlia acariciou o rosto de Carla com uma deliciosa suavidade. A mesma com que deixou a mão correr por trás do pescoço dela e a puxou.
Carla estremeceu com o ardor do contato. Aproximou os lábios dos de Júlia bem devagar, tão lentamente que pareceu estar em câmera lenta.
Quando as bocas finalmente se encontraram, deixou escapar um gemido baixo. Ficaram um longo tempo assim, se explorando, se experimentando, se aceitando, o corpo de Carla correspondendo e vibrando com a mais desconhecida intensidade, antes mesmo que o beijo se aprofundasse.
Entregou-se sem reservas. Seguindo o mais legítimo instinto, sugou, mordiscou, passou a pontinha da língua nos lábios de Júlia querendo que ela os entreabrisse e sorriu quando ela a atendeu, permitindo a entrada. As línguas se fundiram numa dança urgente, que a fez arder, pulsar e ficar inteiramente sem ar. Pararam um pouco para respirar e Carla riu, deixando Júlia curiosa:
– Qual é a graça?
Respondeu com a verdade:
– Agora eu sei por que as pessoas gostam tanto de ficar.
Riram juntas. E voltaram a se beijar. Dessa vez se tocando não só com os lábios. Carla tateou, às cegas, buscando reconhecimento da textura, da maciez, do formato do corpo e da pele dela por cima das roupas, as mãos indo e voltando, incansáveis. Pescoço, ombro, costas, cintura, braços...
As carícias de Júlia se mantiveram igualmente comportadas, fazendo com que Carla a puxasse para si com força, expressando em gestos o que não sabia verbalizar. Esfregou-se nela quase com desespero, liberando uma excitação que nunca tinha vivenciado. Júlia incentivou, acolheu, possibilitou que ela fosse até onde quisesse. Só protestou quando Carla chupou seu pescoço com força:
– Não me marca...
Carla assentiu e, retirando a boca e voltando a buscar-lhe os lábios, galgou uma espiral de arrebatamento que a fez ofegar, trepidar, incendiar... Até arrebentar, gemendo, em ondas de prazer incontroláveis. Foi abraçada em Júlia, ainda de olhos fechados e com a respiração e a pulsação completamente descontroladas, que compreendeu. Tinha acabado de ter seu primeiro orgasmo com outra pessoa. Dando só uns malhos.
Apertando-a mais entre seus braços, Júlia exclamou:
– Nossa...
Segurou o rosto de Carla entre as mãos, o olhar reluzindo a mais profunda e indisfarçável satisfação... E a beijou.
Quando as bocas se separaram, Carla balbuciou:
– Você...
Foi delicadamente cortada:
– Shhhh...
Tentou insistir:
– Eu...
Júlia não deixou:
– Não precisa falar nada.
Nem assim desistiu:
– Mas eu quero.
Precisava. Estava absolutamente envergonhada:
– Desculpa.
Júlia achou graça:
– Pelo quê?
Carla tentou responder, dessa vez apenas com o olhar. Júlia compreendeu:
– Foi muito bom.
Os olhos se encontraram, a dúvida ainda evidente nos de Carla:
– Mesmo?
Júlia aproximou os lábios do ouvido dela:
– Carla...
Havia algo profundamente erótico na maneira com que o nome dela foi sussurrado.
– Eu adorei. Nunca gostei tanto.
A frase despertou uma enciumada curiosidade:
– Já fez isso antes?
Que foi imediatamente saciada:
– Com uma garota não.
Carla sorriu:
– Eu também não.
Teve um gosto totalmente diferente... O beijo que veio depois. Profundo, íntimo, ardente e, ao mesmo tempo, deliciosamente doce.
Carla suspirou quando Júlia lembrou:
– É melhor a gente voltar. Antes que alguém perceba que sumimos.
Esfregou o rosto no de Júlia e a beijou de novo. Uma, duas, três vezes... E continuou querendo mais. Foi assim, desse jeito, que soube e reconheceu que aquilo era só o começo de algo que jamais conseguiria saciar, muito menos justificar.


– Onde cês tavam?
Daniela perguntou assim que as duas entraram na sala.
– Eu não estava me sentindo bem.
Carla explicou e Júlia completou baixinho, para que só as outras duas escutassem:
– Ela vomitou.
Dani fez uma careta:
– De novo? Cê é muito fraca pra bebida, Carla!


Carla esperou Daniela dormir e se esgueirou furtivamente para cima do beliche, assustando Júlia:
– E se ela acordar?
Respondeu no mesmo tom cochichado:
– Não dá pra ver nada lá de baixo.
Ficaram deitadas, uma de frente para a outra, se olhando. Júlia pegou a mão de Carla, encostou palma com palma, comparando e descobrindo que eram do mesmo tamanho. Riram juntas, em silêncio, entrelaçando os dedos. Só então se beijaram, sem pressa alguma. Devagar e aos poucos. Respirações, vontades e realidades se fundindo com uma delicadeza carinhosa, quase romântica, bem diferente de como tinha acontecido antes. Dessa vez, estavam provando, comprovando, aprofundando uma sensação que não era só física e parecia absolutamente singular e única.
Em princípio, cada ruído que ouviam fazia com que parassem e se afastassem. Aos poucos, foram aprendendo a identificar os sons. Vindos de fora, Daniela se virando na cama, os que escapavam delas próprias...
Quando o dia amanheceu, Carla voltou para a própria cama com a impressão de que flutuava. A infinidade de beijos ardentes e apaixonados que haviam trocado a faziam sentir que já se pertenciam. De corpo e alma.


Resolveram voltar depois do almoço, para evitar engarrafamento. Marcos e Edu se despediram e saíram primeiro. Beto e Patrícia se acomodaram na frente e Carla deu um jeito de Daniela não ir entre ela e Júlia no banco de trás.
Naquele momento, o simples fato de estar encostada nela, roçar de vez em quando o braço ou a perna, sentir o calor da pele, já era bom demais. Ninguém viu ou percebeu, nunca sequer iriam imaginar a cumplicidade que se construía, o prazer que existia em cada toque e olhar que disfarçadamente trocaram durante aquela viagem.
Não aguentou. Ligou no dia seguinte, logo depois da aula:
– Por favor, a Júlia?
Ouviu chamarem:
– Júlia... Júlia!
Durante os segundos que esperou, o coração bateu vertiginosamente mais rápido.
– Alô?
– Júlia... Oi...
– Carla? Espera... Só um instante?
A voz dela soou um pouco fria. Na verdade, muito menos receptiva do que Carla esperava. Não demorou muito, foi rápido. Mas pareceu um tempo interminável até Júlia voltar, com a voz bem mais suave:
– Oi...
Perguntou em parte por insegurança, em parte para fazer charme:
– Liguei na hora errada?
Sabia que ela estava sorrindo, só pelo tom:
– Não, claro que não.
Concentrou toda a saudade e a vontade de vê-la numa única pergunta:
– Quer ir ao cinema?
E se frustrou com a resposta de Júlia:
– Só posso na quarta.
Houve um breve, mas significativo silêncio antes de Carla dizer:
– Tá.
A voz da mãe de Carla soou alto o bastante para Júlia também escutar:
– Sai do telefone, Carla!
Tapou o bocal para gritar de volta, numa tentativa vã de evitar que Júlia escutasse:
– Tá bom, mãe, já vai!
Morrendo de vergonha, disse para Júlia:
– Desculpa... Mas eu vou ter que desligar...
Ela riu, em total cumplicidade:
– Tudo bem. A minha mãe é igual.
Carla também riu. O tom das duas se tornou mais suave. Doce, muito doce. Meloso quase:
– Então como a gente faz?
– Te ligo amanhã? Pra gente combinar?
– Tá.
Carla teve o ímpeto de confessar... Que esperaria ansiosa, que sentiria saudade.
– Júlia...
– Quê?
Mas mudou de ideia, achou melhor não falar:
– Nada.
A mãe voltou a gritar:
– Carla, nós não somos sócios da Telerj! Desliga isso aí já!
E ela só afastou o telefone do ouvido:
– Tá!
Foi ainda em ritmo acelerado que disse:
– Preciso mesmo desligar.
Só depois voltaram ao tom aveludado:
– Até amanhã...
Lento:
– Até...
Pausado:
– Tchau...
Protelando ao máximo o momento de desligar:
– Tchau...


Esperou, esperou e esperou. A ansiedade a consumindo e impedindo de fazer qualquer outra coisa o dia todo. Mil vezes conferiu se o telefone estava no gancho e se tinha sinal.
Quando a novela das sete terminou, teve certeza de que Júlia não iria mais ligar. Foi quando o telefone tocou e ouviu Luciana gritar:
– Carla! É pra você!
Levantou de um salto, saiu correndo e praticamente arrancou o telefone da mão da irmã:
– Alô?
Imediatamente reconheceu a voz de Júlia do outro lado:
– Carla?
Nem tentou disfarçar a felicidade:
– Oi!
– Desculpa ligar tão tarde...
– Tudo bem.
E estava. Ela tinha ligado.
– Tô com o jornal aqui, você tem preferência por algum tipo de filme?
Carla foi enumerando:
– Terror não. Nem de guerra, nem de ação, nem policial...
Júlia riu. Tirando as comediazinhas americanas que ela odiava, não sobravam muitas opções.
– Tá. Pode ser "Eternamente Pagú"?
Houve um silêncio antes de Carla perguntar:
– É nacional?
– É. Não gosta?
Júlia adorava. Geralmente ia assistir sozinha ou com a avó, não era o estilo de filme que a maioria do pessoal da idade delas gostava. Carla pensou: “Ai, não! Filme cabeça não!”
Mas o que falou foi:
– Não curto muito filme brasileiro.
E Júlia preferiu acreditar que ainda faria a opinião dela mudar. Provocou:
– Mas nos meus filmes você vai?
Como resposta, uma risada divertida do outro lado:
– Nos seus filmes?
A certeza de Júlia era inabalável:
– Quando eu for uma atriz famosa.
Carla nem pensaria em duvidar:
– Não vou perder nenhum.
As duas sorriram, conscientes de que o estavam fazendo juntas. A voz de Júlia mudou. Tornou-se mais rouca:
– Escuta...
Fez uma pausa que deixou Carla em suspenso, numa expectativa louca. Só então propôs:
– Você não prefere vir aqui em casa?
O corpo inteiro de Carla se arrepiou quando Júlia completou:
– De tarde os meus pais nunca estão.

CONTINUA... 


OBS IMPORTANTE: 

A história não está completa, disponibilizamos apenas os três primeiros capítulos para degustação. 

Músicas que inspiraram  o capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=Wut994fxYA8
http://www.youtube.com/watch?v=s__rX_WL100 








postado originalmente em 19 de Março de 2014 às 18:00.

21 comentários:

  1. Adolescentes de 17 anos, sem pais em casa. Estou até vendo a quantidade de livros que vão ler, quantos exercícios de matemática vão fazer... Vou sentar com a Cláudia pra ver.

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    1. kkkk
      Com certeza Carla e Júlia estão loucas pra estudar!
      hehehe

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  2. Mto fofo esse cap. elas se descobrindo, o amor está no ar... k k k

    Amei... Quero mais...

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    1. Ah, guria...
      Carla e Júlia são fofas juntas, né?
      kkk
      Amanhã tem mais!
      Espero que goste!

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  3. Eita .. Eita...
    Esse capítulo me lembrou muito as descobertas... como agir, como falar, como arrumar desculpas pra ligar ou se encontrar.
    A mãe controlando o tempo no telefone, muito a cara da minha mãe antigamente. Incrível relembrar como eram as coisas e vê que muita coisa mudou, mas esse momento de descoberta continua o mesmo.
    Amei o capítulo
    Beijos, Di!!!!

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    1. Oi Lorena!
      Td bem, linda?
      Esse capítulo pura nostalgia, né?
      Que bom que gostou, linda!
      Obrigadíssima!
      bjo ultra mega hiper suuuuper imensamente giga!

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  4. Conto DE-LI-CI-O-SO!
    Quero mais...[2]

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    1. Que bom que gostou!!!
      Super valeu!
      Amanhã tem mais!
      bjo hiper super imensamente ultra mega giga!

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  5. Quero provar, comprovar e aprofundar mais este conto que desde o início já me prendeu... :P
    Esperar até quarta é o remédio...
    Bjs
    Sandra

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    1. Oi Sandra!
      Td bem, linda?
      Sempre bom te "ver" por aqui!
      Obrigadíssima!
      Espero que goste do capítulo de amanhã!
      beijo ultra hiper super imensamente mega giga!

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  6. Ahhh que gostinho de quero mais!!! Poxaaa!!!! Poxa!!!!

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    1. Mesmo?
      Que bom!
      Obrigadíssima, linda!
      Fez uma autora feliz aqui, viu? kkk
      beijo hiper super mega imensamente ultra giga!

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  7. que lindo esse capítulo,muito fofo,já ansiosa para o próximo. bjs Di ass aninha arwen

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    1. Oi Aninha!
      Td bem, linda?
      Nem sei como te agradecer, viu?
      Obrigadíssima por estar sempre lendo e comentando!
      Espero que vc goste do INFINITO!
      beijo ultra hiper super mega imensamente giga!

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  8. Lindinho este capítulo... Amei Dii.
    Você faz sempre isso, parar o capítulo na melhor frase e deixa aquele gostinho de quero mais!!
    Ansiosa pelo próximo sábado (já que é o único dia que tenho para ler).

    Beijos...

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    1. Ah, Lya...
      Fazer o q, né? É o gancho pro próximo capítulo... kkk
      Obrigadíssima!
      Não tem elogio melhor que esse, né? Me deixou feliz aqui...
      :)
      Até sábado! Espero que goste do Capítulo 04!
      beijo super mega ultra hiper super imensamente gigantesco!

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  9. Realmente eu amei o terceiro capítulo! ahahaha muito, muito bom! É tão gostoso "relembrar" como é as primeiras vezes que nos apaixonamos... Todos esses pequenos detalhes que eram tão importantes, e hoje passam meio despercebidos... Estou amando! Estou muito interessada para saber como vai ser o desenrolar da história e o que vai acontecer depois! Parabéns, suas histórias são ótimas, como sempre! E que venha o quarto capítulo! :D

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    1. Oi Laris!
      Td bem, linda?
      Muito, mas muito obrigada mesmo, viu?
      Nossa, nesses primeiros capítulos só lembrança e nostalgia, né? Eu adorei escrever, então é maravilhoso saber que quem lê tb está gostando...
      beijo super imensamente ultra hiper mega gigantesco!

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  10. MIGRAÇÃO DOS COMENTÁRIOS DO FACE:
    Luzinete Bento: \o/ ....
    19 de março às 18:08 ·

    Aldah Monteiro: :)
    19 de março às 18:32 ·

    Rosana Lima Silva: Simplesmente adorei essa foto... Meu Deus, como o telefone de minha casa tinha história... Praticamente era o único telefone da rua e toda vizinhança pedia para usar, ligar para os parentes distantes... Notícias boas, muitas vezes ruins e até engraçadas! E tinha também os trotes... Cada trote besta que a gente caía kkkkkkk Era muito interessante! Quantas lembranças!
    19 de março às 18:52 ·

    Diedra Roiz: hahaha...
    Pq vc acha que eu escolhi um telefone idêntico ao que tinha na minha casa?
    Tantas lembranças...
    19 de março às 18:58 ·

    Carla Gentil: ontem mesmo tava escrevendo uma brincadeirinha com um telefone desses (que aliás, tenho um na sala em pleno funcionamento)
    19 de março às 19:01 ·

    Rosana Lima Silva: Meus Deus Carla Gentil como você é arcaica! kkkkkkkkkkk
    19 de março às 19:08 ·

    Rosana Lima Silva: Não precisa me responder! kkkkkkkkkkkk
    19 de março às 19:09 ·

    Carla Gentil: eu sou uma lady tradicionalista, tá
    19 de março às 19:16 ·

    Rosana Lima Silva: Só não queria perder a piada! Tá no sangue, é mais forte que eu... Perco a amiga, uma piada jamais! kkkkkkkk
    19 de março às 19:21 ·

    Gynna Gurgel: aiai como sempre perfeito *-*
    19 de março às 19:46 ·

    Rê De Paulo: Sensacional...
    19 de março às 20:26 ·

    Aldah Monteiro: Adorei... Perfeito
    19 de março às 22:20 ·

    Diedra Roiz: :)
    19 de março às 22:30 ·

    Diedra Roiz: Saudade de discar um telefone!!!
    19 de março às 22:45 ·

    Diedra Roiz: Mais ainda da minha mãe gritando pra eu sair do telefone... Contava por pulsos e era caro... kkk
    19 de março às 22:46 ·

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  11. Gente o q ta acontecendo pq ñ estou mais conseguindo ler????
    Eu estava no cap 8 ontem!!!

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    1. Oi Bruna!
      Tudo bem, linda?
      Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que irá publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook), por isso a história não está mais disponível na íntegra.
      Só posso disponibilizar os 3 primeiros capítulos como degustação.
      Espero que compreenda e não fique chateada, ok?
      Em breve a história será publicada, estou muito feliz pq tenho um carinho especial por ela.
      Para não ter mais erro, coloquei ao lado dos títulos no meu site (www.diedraroiz.com) em Romances da autora quais estão completos, ok?
      bjo super gigantesco no coração!

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